| |

Escrito por eduardo zugaib às 18h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
O maior vendedor do Mundo
Na era da competitividade, qual empresa não busca uma equipe eficaz, que supere sempre as metas de vendas? Vendedores que traduzam a alma do cliente, transformando informações sutis em ferramentas afiadas na arte de encantar, seduzir, convencer. Quando o produto é um commodity, algo que quase todo mundo já tenha ou conheça, vender torna-se um ato mais perspicaz ainda.
Reza a lenda que uma editora, tradicional por imprimir a Bíblia em diversos acabamentos, dos simples aos luxuosos, estava em busca de uma nova equipe de vendas. Em resposta ao anúncio publicado no jornal de domingo, apenas três candidatos enviaram currículos, sendo chamados logo em seguida. Eis que no dia da entrevista, o gerente se depara com dois vendedores experientes, elegantes e de eloqüência ímpar. O terceiro era o contraste total: cabelo desajeitado, óculos pesados, terno fora de moda e ... gago. Sem alternativa, contratou os três, orientando-os quanto ao livro sagrado e liberando-os em seguida. “Quero só ver esse gago... não vai vender nada”, imaginou.
Final de tarde, os três se apresentam. O primeiro vendera 9 bíblias. O segundo, 15. Resultados razoáveis para um primeiro contato com este novo universo. Já o terceiro, que chegara alguns minutos após, sob risinhos irônicos dos demais, havia vendido 32 bíblias. “No mínino, vendeu para a família”, pensaram desconfiados.
Fim do segundo dia. No talão de notas do primeiro vendedor, a curva aumentara: 18 Bíblias. No do segundo, 29. No do vendedor gago, nova surpresa: 53 unidades vendidas. A curva subiria ainda mais no terceiro dia, com 32, 56 e 97 Bíblias vendidas, respectivamente. Encantado com a performance do vendedor gago, o gerente chamou-o de canto:
- Meu caro... seus resultados são surpreendentes. Você está quebrando todos os paradigmas! Por favor, me explique o segredo, para que eu possa orientar os outros vendedores.
- O-o-olha s-só... e-e-eu fa-faço as-as-assim ó: che-che-chego no-no cli-cli-ente, me-me a-a-apreseeento e-e-e di-di-go as-as-assim ó: es-es-essa é-é a-a-a Bi-bí-bíblia... vo-você qu-qu-quer com-pr-prar ou pre-pre-pre-fe-fere q-que e-e-eu le-le-leia e-eela pra-pra vo-você?
Escrito por eduardo zugaib às 18h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Super Riso Show
Esta semana, por dever do ofício, os jornais estão repletos de tragédias. Portanto, vou amenizar e falar de humor. Especificamente sobre a estrutura de um programa de humor. É fácil: todo quadro humorístico tem os mesmos componentes e segue uma mesma fórmula. Ele começa com um protagonista, que está bem. Então entra o escada, o responsável em criar tensão na história, que dá a deixa para que o protagonista feche a piada, normalmente com um bordão, relaxando a cena novamente. Ao final entra a claque, aquele riso coletivo, que pode ser gravado ou ao vivo. Para exemplificar criei alguns esquetes curtos, como os que passam nos programas das noites de sábado.
1º quadro - O Presidente e o puxa-saco risonho.
- Hoje aprendi uma palavra nova: inexorável!
- Ha! Ha! Ha! Ha! Inexorável! Ha! Ha! Essa é demais – entra a risada forçadamente alta do puxa-saco. Fecha com a claque.
2º quadro - A Perua Loira, que sempre aparece em meio a situações tensas, e com seu bordão desconcerta a todos:
- Doze horas na espera? Ah... relaxa e goza!
Fecha com a claque.
3º quadro - O Grupo de Emergência. O cenário: uma sala de reunião, onde discutem amenidades. Entra um assistente esbaforido, barba por fazer, que grita:
- Senhor Presidente! Caiu um avião!
O presidente respira fundo e esbraveja:
- Já mandei resolver esse caso do avião! Dou 3 dias para o Grupo de Emergência!
- Mas presidente! Este é outro! Aquele ainda não foi resolvido!
- Então ... 5 dias para resolver os dois! – e bate a mão na mesa novamente, fechando com o bordão: - Próximo assunto?
Entra a claque.
4º quadro – O Aspone e seu Aspone. Enquanto assistem ao noticiário, mandam bananas, top-tops, nheco-nhecos e outros gestos obscenos.
- Há a possibilidade de falha mecânica na aeronave que caiu ... – diz o âncora do jornal.
- Tá vendo? Tá vendo? É Toop-tooop! – diz o aspone, acompanhando o gesto.
- Ha! Ha! Ha! Ha! É nheco-nheco! – completa o outro, fechando o bordão. Entra a claque.
Ah... você sentiu falta do escada em alguns quadros? E onde você pensa que esteve até agora, tolinho?
Escrito por eduardo zugaib às 18h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
O especialista
Não conjecturarás. Se existisse um 11º Mandamento, certamente seria esse. Afinal, quem é que não conhece um "especialista"? O "especialista" é aquele sujeito que sempre tem a explicação correta para tudo o que acontece no mundo.
É o rei dos palpites, das frases feitas, clichês e lugares-comuns, que a todo instante lasca suas teses com ar de superioridade e tom professoral, capazes de deixar qualquer interlocutor tímido. Ele costuma aparecer em diversas ocasiões.
Pode surgir, por exemplo, quando seu carro quebra na rua. É capaz de reconhecer um capô aberto a quilômetros de distância. Chega de mansinho, pára ao seu lado, olha pra dentro do motor com sua visão raio-X, coça o queixo e solta:
- Isso aí é bateria! Meu cunhado tem um carro igualzinho e parou por causa de bateria.
- Mas troquei a bateria ontem! – diz você, infeliz condutor.
- Então vela. É batata que é vela!
Em festinha de criança o "especialista" dá um show. Se o som não liga, logo aparece dando sua contribuição:
- Deve ser a voltagem... Será que não queimou a fonte?
Se no meio do silêncio do escritório alguém espirra, lá vem o “especialista” colocando em prática seu lado doutor.
- Essa gripe deixou um monte de gente de cama! Meu vizinho ficou uma semana sem trabalhar. Só curou com quando tomou 20 aspirinas com dois copos de chá de limão... pode tomar também, que é tiro e queda!
Buona gente o "especialista". Sempre disposto a ajudar, a explicar, a dar uma forma palpável a tudo aquilo que é inatingível para os comuns. Se algum novo assunto chega na mídia lá vai ele, tão profundo quanto uma pizza, passar aos demais a percepção de informação fresca colhida. Ou de opinião formada sobre bases tão concretas quanto a que foi usada no edifício Palace II.
- Sabe aquele político que morreu do coração no mês passado? Sei não... Pra mim, aquilo tudo foi armação. Vê só se alguém investiga isso mais fundo. É claro que não! É que não interessa para “eles” que a verdade venha a tona...
- “Eles” quem? - alguém arrisca.
- Oras! Você sabe quem são “eles”... eles são "eles"... os caras!
Outra grande especialidade do "especialista" é perguntar o que você pensa sobre determinado assunto, apenas para discordar. Sua opinião perto do nada absoluto perde em conteúdo. Conclusões simplistas, que sempre o colocam entre os mais admirados especialistas em nada. Ou, como ele mesmo se define, entre os conhecedores superficiais de tudo.
Escrito por eduardo zugaib às 18h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
O Quarteto Fantástico
Prepare seu coração. Sua adrenalina vai subir. Você vai perder o fôlego com a estréia da superprodução mais esperada da temporada: Quarteto Fantástico 2. Na continuação da saga, o já grisalho Senhor Fantástico mantém índices elásticos de reconhecimento público. Do alto dos seus quase 70% de aprovação, solidamente sustentados em fartas distribuições de bolsas, cargos públicos e outros brindes licenciados, ele prova ser mais resistente que qualquer outro herói que já tenha ocupado sua cadeira. E enfrenta seu mais inconseqüente e perigoso rival: o Surfista Prateado, que não cansa de deslizar através da imprensa uma grande onda de sacanagens, roubalheira e putaria, desanimando e paralisando o "povo que não desiste nunca". Mas o Senhor Fantástico, escolado que é, inspirado em salas de exibição vizinhas, fará de tudo para libertar seus liderados deste grande vilão. Preocupado com tanta ousadia, ele usa toda sua flexibilidade para convocar companheiros de luta e ex-inimigos para proteger aliados, irmãos puros e compadres inocentes.
Você vai se surpreender com a frieza do Homem de Pedra, o impávido e durão ministro da fazenda, inabalável até mesmo diante de aeroportos parados, confundindo congestionamento com desenvolvimento. Vai ferver de raiva frente ao senador Tocha Humana, que parece queimar no centro das atenções e das chapas quentes, mas ainda conserva o poder de derreter, no calor de fisiologismos e favores, todo aquele que tente criar improváveis relações entre lobistas, amantes, empreiteiras e bois. E vai se emocionar com a graça da Mulher Invisível, materializando-se suavemente, tranqüilizando o povo com minutos de sabedoria que sintetizam a falta de libido e de ética de um país onde turismo e sexo se misturam, da beira das praias aos ministérios.
Não perca este grande sucesso de bilheteria. A turma do Senhor Fantástico, com toda a força de suas metáforas, vai continuar surpreendendo você. Em exibição na sua televisão, no transporte lotado para o seu trabalho, na falta de escola para seus filhos e na aposentadoria minguada do seu avô. Quarteto Fantástico. Versão Brasileira, Relax & Enjoy.
Escrito por eduardo zugaib às 11h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |

Confira matérias no
Estadão
Folha de São Paulo
Jornal do Brasil
Jornal do Estado (PR)
e também no site do prêmio
49º Prêmio Jabuti - 2007
Escrito por eduardo zugaib às 16h11
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Como um passarinho
Certamente você já foi a um velório. Se não foi ainda, deveria ir a um antes do seu próprio. Por quê? Apenas para perceber que as cenas que acontecem nos velórios são universais, repetindo-se aqui, na Europa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, independente da crença religiosa ou formação cultural. Antes vale lembrar que o velório é a reunião social de maior sucesso, aquela onde grande parte de amigos e familiares comparece. Muito mais do que qualquer festa de aniversário ou casamento que você tenha promovido em vida. A razão é que todos nós, os "convidados", gostando ou não do morto, queremos ter apenas uma certeza: a de que ele realmente não fará mais parte deste planetinha confuso em que vivemos. É nesta hora que surgem aquelas tias de longe, que o viram pela última vez quando você tinha 30 anos. Hoje, com 35, elas insistem em dizer que você não pára nunca de crescer:
- Onde vai parar este menino, Zulmira?
Num velório, o público se alterna entre o consolo aos herdeiros – sejam de dívidas ou de bens – e as rodas de piadas que surgem logo ali, um pouco mais longe do caixão. Já reparou também que sempre há uma providencial padaria perto de um velório? Meia hora de presença e ... puf! Quando menos se espera, um grupinho que há pouco se debruçou sobre o caixão agora o faz sobre o balcão.
Mas o pior dos velórios são as frases feitas. Como é possível que alguém diga que o morto está bonito? Onde já se viu morto bonito? Ou então, que ele parece estar sorrindo? Morto sorrindo? Pior que essa é outro comentário fatal, com o perdão do trocadilho infame:
- Nossa... parece até que ele está dormindo.
Deus me acuda! É nessa hora que eu me mando. Vai que o morto acorda?
Porém tem um comentário que é o mais infame, o hour-concours. Trata daquela resposta pronta, dita em voz baixinha a alguém que pergunta como é que o sujeito que ali está deitado partiu desta para uma melhor:
- Morreu tranqüilo, como um passarinho - responde alguma boa alma, que desconhece as estatísticas que afirmam que a maioria dos passarinhos morre de forma violenta. Seja batendo no pára-brisa do carro, levando uma pedrada de estilingue ou um tiro de espingarda.
Se a morte é certa, viver bem é que nos resta.
Escrito por eduardo zugaib às 15h55
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Penso, logo desisto
Não podemos entrar no mesmo rio duas vezes. Na segunda, nem o rio, nem nós, seremos os mesmos. Assim disse Heráclito. Educai as crianças e não será preciso punir os homens, afirmou Pitágoras. A palavra é o fio de ouro do pensamento, eis o legado de Sócrates. A educação tem raízes amargas, mas os frutos são doces, falou Aristóteles. Marco Aurélio acrescentou que a nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos fizerem dela. Sêneca, por sua vez, jurou que ninguém chega a ser sábio por acaso. Que é ensinando que se aprende. O dom da fala, segundo Santo Agostinho, foi concedido não para que nos enganássemos uns aos outros, mas para expressarmos nossos pensamentos. Reneé Descartes disse que não basta ter bom espírito. Mais importante é aplicá-lo bem. Immanuel Kant, atualíssimo, jogou na educação o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Montesquieu sentiria-se em casa ao dizer que, quanto menos os homens pensam, mais eles falam. Diderot, brevíssimo, decretou que os erros passam, a verdade fica, enquanto Rousseau legou-nos que na juventude deve-se acumular o saber, para na velhice fazer uso dele. O progresso não é mais do que o desenvolvimento da ordem, nas palavras de Auguste Comte. Karl Marx, se vivo fosse, veria que nunca o caminho do inferno esteve tão pavimentado de boas intenções quanto hoje em dia. Nietzsche cultivou pensamentos menos sintéticos que seu bigode: torna-te aquilo que és. Claude Lévi-Strauss, pessimista, alegou que o mundo começou sem o homem e acabará sem ele. Jean Paul Sartre, que via longe apesar das grossas lentes e do estrabismo, foi profético ao afirmar que nunca julgamos aqueles a quem amamos. Luis Inácio foi de uma precisão absoluta afirmando que se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos. E que uma palavra - só uma - resume a responsabilidade de qualquer governante. Essa palavra é "estar preparado". Coisa de quem acredita que o futuro será melhor amanhã.
Dos pré-socráticos aos pós-petísticos, dá pra notar o quanto evoluímos. Ops! Me desculpe... nem perguntei se você gostava de filosofia. Tudo bem. Relaxa e goza. Filosofia é como um parto. Dói no começo, depois você nem lembra. Assim disse Marta.
Escrito por eduardo zugaib às 16h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Inutilidades domésticas
Você já parou pra pensar que as utilidades domésticas possuem alma? Assim como nós, algumas devem ser mais realizadas e felizes. Outras mais tristes, frustradas. Veja a TV, por exemplo. Desde sua invenção ela não perde o trono de eletrodoméstico mais requisitado pela família. Certamente é o mais feliz, hoje seguido de perto pelo computador.
Coloque-se no lugar do seu forno de microondas. Imagine o que deve ter passado pela cabeça dele, assim que foi tirado da caixa e instalado na cozinha. Certamente olhou com um ar blasé para o liquidificador e a batedeira que, apreensivos, acompanhavam de cima da geladeira ou do armário toda a movimentação em torno do novo morador. Mas a arrogância do microondas durou pouco. Mal podia imaginar que após anos de estudos, testes de radiação e transmissão de calor, acabaria sendo lembrado só na hora de descongelar e requentar comida ou, na melhor das hipóteses, estourar pipoca. Hoje ele sofre uma crise de identidade. Quem diria que um projeto que prometia uma grande revolução conseguiria, no máximo, tirar de circulação a panela de pipoca, aquela com manivela na tampa, e a leiteira?
Churrasqueiras de alvenaria formam um capítulo à parte. Depois de garantir o lazer da família por algumas semanas, é batata! Ou melhor, é picanha: como tantos outros, também acabam caindo no esquecimento. Ao mesmo tempo em que os churrascos vão rareando, a churrasqueira vai reservando seu lugar no purgatório do abandono, na Sibéria do lar. Se for uma churrasqueira de sorte, ainda pode ganhar a companhia de um gato nas noites de frio. Do contrário, corre o risco de virar depósito de garrafas ou jornais velhos.
Mas qual seriam as utilidades domésticas mais infelizes? Suspeito que sejam aquelas relacionadas à ginástica, como a bicicleta ergométrica e a esteira. Ao serem compradas, sempre por impulso, são disputadas a tapa por todos da família. Quem não quer perder em alguns dias uma barriga conquistada em anos e anos? Ou abaixar rapidamente os níveis de “colesterol ruim”? Como a disciplina doméstica é a pior de todas, passada a febre, lá vai a bicicleta ou a esteira assumir sua real vocação: a de cabide. Abandonada em algum canto da casa, vira um amontoado de roupas. Que Deus olhe pelas almas das utilidades domésticas. E reserve um céu só para elas.
Escrito por eduardo zugaib às 16h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |

Escrito por eduardo zugaib às 12h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
A profecia
Nem o atual “O Segredo”, nem as clássicas Centúrias de Nostradamus. Jogo de búzios? Que nada! O negócio é prever o futuro interpretando embalagens. É privilégio para poucos. Você não acredita em nada disso? Pois saiba que é possível descobrir verdadeiras profecias lendo simples rótulos de produtos disponíveis nas gôndolas.
Essa semana, ao entrar num supermercado, fui atraído misteriosamente ao setor de higiene pessoal, onde presenciei uma revelação. Passando os olhos pelas marcas disponíveis, encontrei um produto chamado – isso é muito sério - Sabonete Senador. Certamente você já ouviu falar, tanto de sabonetes quanto de senadores. Ao ler a embalagem, tudo ficou mais claro. Entre outras vantagens, o rótulo prometia “todo o prestígio de Senador, para você que tem uma personalidade marcante”. Afinal, ele “transforma o banho em um momento especial e sofisticado, para homens seguros e que sabem valorizar o que a vida tem de melhor”. Encanação? Na dúvida, peguei a versão fresh. O segredo confirmou-se: “uma sensação de refrescância intensa, ideal para o homem dinâmico e que vive ativamente cada momento”. Cisma minha? Peguei o desodorante da marca e estava lá, com todas as letras, “proteção e liberdade para os seus movimentos por muito mais tempo”. Não satisfeito, avancei na versão roll-on, que me provou estar frente a uma espécie de Código da Vinci tupiniquim: “deixa você pronto para enfrentar a agitação do dia-a-dia”, fechando com um slogan de deixar qualquer dono de empreiteira tranqüilo: “Senador. Particularmente seu”. Não podia ser! Devia ser uma grande coincidência, fruto de uma mente excitada. Saí correndo, esbarrando no carrinho de compras de uma senhora, derrubando as laranjas de outra, sempre olhando para trás, apavorado. Ofegante, me escondi no setor de bebidas. Respirei e pensei comigo: “Calma! Isso é imaginação! Procure algo para beber e relaxar... tudo não passa de delírio...”.
Minutos depois, mais tranqüilo, fui fazer o que minha consciência mandava. Desmaiei quando percebi, no meio das garrafas, uma baixinha e bojuda onde, em letras vermelhas, lia-se Conhaque Presidente.
Escrito por eduardo zugaib às 12h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Operações especiais
Operação Navalha. Nome bonito, não? Se assim como eu, você tem curiosidade em saber a origem dos nomes dessas operações, saiba que a Polícia Federal é bem mais criativa do que a gente imagina. Certamente há um departamento só para cuidar disso. Você duvida? Veja a Operação Linhas Cruzadas, por exemplo. Ela combateu rádios clandestinas, assim como a Operação Interferência e a Operação Sintonia. Já a Operação Sodoma prendeu gente ligada ao tráfico de mulheres. Nome óbvio, né? Kolibra, Parabellum, Roseira e Savana foram algumas das que combateram o tráfico de drogas, em especial o internacional. E não pense que é só tóxico pra uso de gente que entra. Tem também contrabando de agrotóxico, desbaratado em parte pelas operações Big Apple, Piratas da Lavoura e Campo Verde.
A originalidade não pára. Se você também se sente um perfeito idiota em declarar e pagar corretamente cada centavo do imposto de renda, saiba que tem gente mais esperta que nós. São aqueles que foram presos pelas Operação Rio Nilo, Operação Testamento, Operação Ouro Verde e Operação Malha Sertão, todas tratando de crimes contra o sistema financeiro, de fraudes a sonegações, em sua grande maioria já soltos, aprontando outras por aí.
Passe Livre, Vintém, Cedro-Maracá, Valáquia, Ananias, Casão, Truco e Derrame não são jogadores de pelada, mas nomes de outras grandes ações, que vão desde o combate à adulteração de combustível até a falsificação de dinheiro e documentos. A Operação Vaga Certa, contra a venda de vagas nas universidades, e a Operação Game Over, de desbaratamento de bingos e casas de jogos, ganham no quesito pertinência. Estas são apenas algumas das 62 operações especiais da PF em 2007, que passariam tranqüilamente por títulos de filmes na disputa pelo Oscar. Pode ser que você nunca tenha ouvido falar delas. Ou pode ser que sim. Pode ser até que você tenha sido investigado em alguma. No Brasil de hoje, está cada vez mais difícil dizer quem ainda não se besuntou no santo óleo, aquele que lubrifica as decisões dos poderes executivo e legislativo, devidamente amparadas por boa parcela do judiciário. Será que alguém já pensou em lançar a Operação Vergonha na Cara?
Escrito por eduardo zugaib às 12h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
O lobo e o cordeiro
Se La Fontaine vivesse hoje, suas fábulas seriam mais ou menos assim:
“Era uma vez um manso cordeirinho. Ele ganhava um salário modesto e, após o expediente, costumava se reunir num boteco com outros bichos, para jogar conversa fora e beber uma cerveja gelada. O mesmo bar era freqüentado por um lobo que, invejoso pela popularidade do caprino, um dia se alterou e começou a gritar:
- Como ousas estar no mesmo bar que eu? E pior: usando minha mesa! Vais pagar caro por isso, cordeiro!
Sem esboçar qualquer sinal de medo, o cordeiro respondeu:
- Caro lobo, não entendo sua raiva. E até onde sei, sua mesa é aquela lá, do canto. Portanto, passe bem...
- Ainda assim está no meu bar preferido. E há uns dois anos dizem por aí que falas mal de mim – insistiu o lobo.
- Quanta besteira... há dois anos eu nem havia nascido...
- Então foi seu pai! E isso não o torna menos culpado.
- Ora, ora... meu pai nem mora aqui.... e fofoca não é hábito que me apraz. Gosto sim é de vir aqui, encontrar com os amigos, no fim do dia. E nem é sempre, hein?
- Ahh... não foi seu pai? Então foi seu avô! Por isso não sou obrigado a olhar pra sua cara no “meu” bar. A casa caiu, carneirinho...
- Tô tentando explicar, mas você não está querendo entender, lobo...
- Dane-se! Cordeiros... cães... humanos... odeio todos! E é você quem vai pagar por isso! – completou a fera, arreganhando os dentes e avançando sobre o cordeiro.
Sem pestanejar, o cordeiro enfiou a mão no meio da lã de seu casaco e tirou uma Magnum 44, descarregando 5 tiros certeiros no peito do lobo. Enquanto o baleado agonizava, terminou de beber a cerveja, acendeu um cigarro e perguntou aos outros bichos do bar:
- Alguém aqui viu alguma coisa?
Silêncio total. Olhares absortos. Um assovio ao fundo, junto com o barulho do pano molhado limpando o balcão. Para evitar flagrante, fugiu da cena do crime. Está desaparecido, devidamente orientado pelo advogado da família. O crime ganhou um bloco inteiro no programa do Datena e simulação no Linha Direta, com foto do cordeiro divulgada em cadeia nacional. Moral da história? Nenhuma. É, La Fontaine... o mundo mudou.
Escrito por eduardo zugaib às 12h01
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
Coração acelerado
Há alguns meses ouvimos falar do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, que impressionou pela quantidade de itens. Toda a pauta de todo e qualquer Ministério e órgãos federais se encaixou em algum lugar na imensa relação de objetivos. Ações que representam nada mais que a obrigação de cada área, ganharam roupa nova. A estratégia é simples: cria-se uma nova marca e com ela rotulam-se produtos vencidos, injetando-os novamente no mercado, sob pretexto de lançamento. Você já reparou em fuscas velhos que andam por aí com a logomarca Audi colada na traseira? Este é o melhor exemplo de PAC, de aceleração real do crescimento.
E enquanto o PAC do Brasil não desempaca, você pode montar seu próprio programa de aceleração do crescimento. É fácil: em uma folha em branco, liste numa coluna suas conquistas recentes e, em outra, os seus objetivos, assim como a prioridade de cada um.
Trocar de carro, por exemplo, pode ser um item, de médio-longo prazo, do seu PAC particular. Terminar o mês no positivo também, mas isso já é curto prazo. Precisou reconhecer firma no cartório? É PAC. Comprou o CD novo da Ivete Sangalo? PAC, oras. Da Banda Calypso também? PAC total. Esteve no Largo São Bento, em meio a milhares de pessoas, olhando para uma janela blindada? É PAP... ou melhor, é PAC. Viajou no feriadão? Não precisa nem dizer, né? Taquicardia? Deve ser efeito do PAC. Macarrão com frango no domingo, parar no posto de gasolina e colocar dez reais pra chegar em casa, ração para o cachorro, mudar os móveis da sala de lugar, trocar o pneu do carro, renovar o bombril da antena... enfim, seguindo a lógica do PAC original e aplicando-a ao nosso mini-PAC, vale-tudo, com exceção de dedo no olho e chute nas partes baixas. Essa semana, por exemplo, eu comprei um tapete novo para meu banheiro. É óbvio que ele foi parar no meu PAC. O presente do Dia das Mães também tem lugar reservado.
Dizem as más línguas que planejamento com foco é tudo na vida. De pessoas a países, passando por famílias, empresas e cidades. Mas as más línguas não contam. O que conta é que agora eu tenho um PAC só meu. E se fosse você, também corria atrás do seu.
Escrito por eduardo zugaib às 19h08
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
O santo brasileiro
Pecados capitais estão mais na moda do que nunca. Religiosidade também. Em meio à luxúria de políticos e líderes religiosos flagrados com a mão na grana, resta como consolo a notícia de que a partir de 11 de maio teremos um santo só nosso. Frei Galvão, o primeiro beato brasileiro, foi promovido. E receberá o anúncio de seu novo cargo pela voz do próprio Papa, na visita programada para os próximos dias, bem menos pop que da última vez em que um sumo pontífice passou por aqui. Sinal claro de que os tempos são outros.
A ascensão de Frei Galvão, após anos de espera ocupando cargos menos visíveis na máquina burocrática do céu, levantou polêmica: decretar ou não feriado nacional? Eis a questão. A boa-fé recomendou compartilhar não só o pão, mas também a decisão, delegada aos prefeitos, fazendo questão apenas de lembrá-los da lei federal que limita em cinco o número de feriados municipais. Prevendo a ira iminente do paulistano, que já está sofrendo só de imaginar as horas e horas parado no trânsito, acompanhando o deslocamento do Papa-Móvel pela CBN, a prefeitura da capital optou pela preguiça. Para soberba dos servidores municipais, decretou ponto facultativo. Decisão mais que suficiente para despertar a inveja de quem trabalha na iniciativa privada, pressionado pela mal interpretada avareza daqueles que precisam fechar o mês no positivo. Num restaurante, por exemplo, ninguém almoçará duas vezes hoje porque amanhã será feriado. Em porta fechada não entra mosquito. Nem cliente. Por maior que seja a gula, almoça-se apenas uma vez na véspera, reservando a folga para pipocas de microondas, assaltos furtivos à geladeira e, em casos extremos, churrascada com os amigos, acompanhando cada volta da comitiva papal pela TV, até a bandeirada. A carne ainda é fraca.
Que Bento XVI, o papa, seja bem-vindo. E também o seja Frei Galvão, ciente da tremenda bucha que o aguarda. Ser santo no Brasil não deve ser nada fácil, coisa para qualquer um. Haja saco para agüentar tantos pedidos de bilhetes premiados, casamentos impossíveis, conquistas de campeonatos, aumentos de salário e outros menos importantes, como cura de doenças, afastamento de perigos e abertura de caminhos. Ao mais novo santo - o primeiro brasileiro - lamento informar que sua dor de cabeça está apenas começando. Não queria ser promovido? Agora agüenta.
Escrito por eduardo zugaib às 19h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
| |
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|